Ocorrência Corpo de Alice Franco, 73, foi encontrado dentro da casa onde vivia com o filho, no Vale do Sol
FOTO: Reprodução

Atualizado às 9h40 desta quinta-feira (11)
Alice Ribeiro Franco, de 73 anos, foi encontrada morta dentro da própria casa na Rua Itororó, na Vila Santa Luzia, bairro Vale do Sol, em Ribeirão Pires, na terça-feira (9). O filho dela, Marcelo Ribeiro Franco, 49, foi preso em flagrante e é acusado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver, incêndio, resistência e desobediência.
Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), policiais militares foram acionados após vizinhos relatarem um forte odor vindo da casa onde moravam mãe e filho. Ao chegarem ao local, os agentes afirmam que foram impedidos de entrar no imóvel pelo suspeito, que apresentava comportamento alterado. Durante a ocorrência, Franco teria ameaçado os policiais armado com um facão, cortado a mangueira de alimentação do gás de cozinha e iniciado um foco de incêndio na residência.
Ainda de acordo com o registro policial, mesmo após ordens para se render, o homem teria continuado resistindo à abordagem. Foi necessário o uso de taser (arma de choque) para contê-lo.
Após conseguirem entrar no imóvel, os policiais localizaram o corpo de Alice enrolado em plástico. Também havia uma substância esbranquiçada semelhante a cal, espalhada pelo local. Conforme o BO, o homem confessou que utilizava o material para preservar o corpo da mãe.
Comerciantes da rua onde a família vivia disseram que a idosa não era vista havia meses e relataram um histórico de conflitos entre mãe e filho.
Gilvanete Ferreira de Almeida Silva, 54, contou que costumava atender Alice em sua loja e que a última vez que a viu foi no início deste ano. “Ela já estava mais fraca, andando devagarzinho. Eu ajudava ela a levar a compra, porque ela não conseguia”, relembrou.
Ainda segundo ela, após janeiro apenas o filho passou a frequentar o comércio. “Eu perguntava por ela, ele falava que estava bem. Mas ele era muito sistemático, eu tinha até medo. Quando a Alice vinha aqui, às vezes, ficava chorando. Falava que ele brigava com ela, era agressivo.”
Gilvanete descreveu Alice como uma pessoa educada, gentil e atenciosa com o filho. “Se preocupava muito com ele, cuidava muito dele. Tinha vezes que ela vinha comprar as coisas e falava: ‘O Marcelo não tá comendo, tô com tanta dózinha dele”, ressaltou.
Já José Soares da Silva, 60, relatou que alguns moradores haviam percebido um cheiro forte vindo da casa dias antes da descoberta do corpo. “Pensei que fosse cheiro de esgoto. A gente não sabe como é cheiro de cadáver. Depois uma moça comentou que estava muito forte e que ninguém aparecia na casa.”
TRISTE ESTATÍSTICA
A morte de Alice é o oitavo caso registrado como feminicídio no Grande ABC em 2026. São Bernardo lidera os registros, com cinco ocorrências. Já Santo André, Diadema e Ribeirão Pires contabilizam um cada.
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